segunda-feira, 4 de junho de 2012

Jordão sofre apartheid no Enem

Um luta justa do povo do Jordão. Publico o texto a pedido de um dos líderes do movimento, o estudante Hugo Brito, que assim disse:

"Meu amigo,   venho, junto com as vozes de 300 alunos de Jordão, solicitar amigavelmente do ilustre advogado um espaço em seu blog para uma campanha nossa: O direito de fazer a prova do Enem em nosso município. Não sei se é de vosso conhecimento, mas o Jordão sofre, mais uma vez, descaso político. Estamos fazendo uma luta em prol desse objetivo, vários blogges aderiram nossa campanha se solidarizando com nossa causa. Conhecendo o seu enorme desejo de fazer justiça e o público de seu blog, peço ao amigo, se lhe for conveniente, para postar um texto de minha autoria que conclama nossas indignações e súplica aos governantes por um direito tão fácil de ser realizado. Se for de acordo do amigo, o texto segue logo abaixo... Se o dr. Pudesse nos ajudar contribuindo também com algumas palavras, ficaríamos muito felizes. Mas caso o Dr. Não possa nos ajudar com a postagem do texto, também agradeceremos, afinal compreendemos que és um homem de muitas causas, portanto, muito ocupado. De seu amigo, Hugo Brito."
Segue o artigo.

Jordão sofre apartheid no Enem

Estamos diante de uma nova sociedade. A sociedade do “egocentrismo político”, onde o "eu" tem mais valia que o "nós", que o "outro".

O Brasil hoje é a sexta potência econômica mundial, e é a octogésima oitava potência educacional. Por que será?

Nesta última segunda-feira, dia 28 de maio, tivemos a triste confirmação diante das expectativas de mais de 300 estudantes de Jordão, algo que, já que o humanismo não permite que eu seja hipócrita, imaginávamos: Jordão, mais uma vez, não sediará a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Parece irônico, mas o município que mais necessita de uma conveniência educacional é, possivelmente, um dos que mais sofre descaso.

Senhores governantes, nós, estudantes de Jordão, acima de tudo, brasileiros, não estamos aqui pedindo favores, estamos reivindicando um direito que, enquanto cidadãos da referida nacionalidade, temos assegurado pela constituição que mais contêm artigos defendendo direitos fundamentais: reivindicamos o direito de nos sentimos brasileiros sendo contemplados com a possibilidade de fazer a prova do Enem assim como os milhares de brasileiros, que certamente não precisam sair do aconchego de seus lares para fazê-la.

Se é por mais falta de justificativa eu lhes dou mais uma: Olhem a posição geográfica do Jordão. O município mais próximo é Tarauacá, onde para chegar, nós, estudantes, teríamos que nos sujeitar a uma viagem de barco, enfrentando todas as agruras e os perigos do rio, onde o tempo de viagem seria no mínimo sete dias em estado absurdo de desconforto. Detalhe: isso, para quem tem condições de bancar uma viagem.

Venho aqui, políticos brasileiros, assim como Vossas Excelências vem às nossas portas em períodos eleitorais nos solicitar votos, venho reivindicar o direito de ser cidadão, de ser brasileiro; se, mesmo morando tão isolados, nós somos lembrados a comparecer às urnas, por que não somos agora?

  Por Hugo Brito – Jordão - AC

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